Críticas: Pequenos Prazeres, Bouncer 6 e 7, Asteroid Fighters 2 e Spirou e Fantásio vol. 50

Mais uma ronda de pequenas críticas de quem tem pouco tempo para escrever para quem tem pouco tempo para ler. Aqui, trago-vos 3 livros publicados pelas edições ASA e um pela Contraponto. E precisamente pelo álbum publicado pela chancela da Bertrand que começo.

Pequenos Prazeres

capa Pequenos PrazeresFoi com um enorme surpresa que vi este lançamento da Contraponto. Primeiro porque na altura do lançamento de Persépolis, a editora tinha-me dito que o seguinte lançamento seria em Setembro com Fun Home, e segundo porque sabendo destes álbuns, pensei que a editora se fosse debruçar mais sobre novelas gráficas autobiográficas, de autor ou mais alternativo, e este livro é a antítese disso. Não é uma medida necessariamente má, pois até gostei bastante deste álbum, mas realmente não estava a contar. Pequenos Prazeres é um livro divertidissimo sobre a vida amora e sexual de Arthur e que funciona ao estilo de prancha cómica. O “sexo” é um tema que facilmente pode escorregar para o boçal, mau gosto e piada fácil, e por isso isso por vezes difícil de gerir. No entanto Arthur de Pins consegue “fintar” esse “problema” e consegue ter um humor até com alguma inteligência. O desenho, embora demasiado digital para o meu gosto, é interessante, com personagens fofinhas e cores fortes e contrastantes. Mas perde um bocado devido ao formato usado na edição portuguesa, que passa possivelmente do formato Franco-Belga, estilo A4 para um estilo “formatinho próximo do A5. Além disso, o espaçamento entre os quadradinhos é demasiadamente grande, ou seja, as vinhetas ficam bastante pequenas. Mas é um bom livro para se ter em casa, e tem a vantagem de ser um bom livro para oferecer a quem não costuma lêr banda desenhada.
O melhor: Álbum duplo por um preço simpático. O Pior: Vinhetas demasiado pequenas.
Para mais informações (sinopse e imagens) aqui: http://www.centralcomics.com/2012/06/14/lancamento-pequenos-prazeres/

Bouncer tomo 6 – A Viúva Negra e tomo 7 – Coração Dividido

bouncer 6 e 7Não gosto de “cauboiádas”. O tema western nunca me interessou, no entanto e devido aos grandes nomes envolvidos nesta série, Jodorowski e Boucq, resolvi dar uma oportunidade a Bouncer. E ainda bem que o fiz. Tornou-se uma das minhas séries favoritas a sair actualmente em Portugal. E era por isso grande a expectativa que tinha para este tardio álbum duplo. Embora tenha gostado, não posso dizer que fiquei 100% satisfeito. Como esta é uma história independente dos 5 tomos anteriores, tive uma leitura fácil de A Viúva Negra e Coração Dividido, apesar do espaçamento temporal entre este e o volume anterior. Boucq contínua impecável. É literalmente de babar a sua arte, no entanto achei esta história menos interessante que a dos 5 primeiros. Seja como for, acho Bouncer uma das melhor das séries a sair em Portugal e é uma leitura (quase) obrigatória para quem gosta de banda desenhada.
O Melhor: O argumento e arte. O Pior: Não é melhor que os cinco primeiros tomos.
Para mais informações (sinopse e imagens) aqui: http://www.centralcomics.com/2012/06/03/lancamento-bouncer-tomo-6-a-viuva-negra-e-tomo-7-%E2%80%93-coracao-dividido/

Asteroid Fighters 2 – Os Oráculos

asteroid fighters 2 capaRui Lacas voltou ao género super-heróis à portuguesa quase 3 anos depois do primeiro volume. Sendo uma história em continuação fez-me falta não ter relido o primeiro tomo antes de ler este segundo volume. Para mim, 3 anos é muito tempo, não tenho memória suficiente para absorver tudo o que vejo e leio durante tanto tempo, por isso tive alguma dificuldade em perceber a história na sua totalidade. E por isso, esta minha opinião sofre em parte por causa disso, mas também serve de crítica pois neste género de publicação, não pode haver um intervalo de tempo tão grande entre cada lançamento, e nem falo só do esquecimento que poderá provocar nos leitores, mas também porque quanto mais tempo se passa, mais o interesse se vai dissipando. (O mesmo está a acontecer com BRK, também publicado pela Asa, meus amigos).
Ora, Rui Lacas é um dos meus autores portugueses de banda desenhada favoritos. Devo ter tudo ou quase tudo o que ele lançou, e por isso qualquer trabalho dele aguardo sempre com expectativa e têm sempre um lugar especial na minha estante. No entanto acho que o género super-heróis não é a sua praia. Asteroid Fighters 2, continua a frente de muitas outras publicações nacionais, mas quanto a mim, uns furos abaixo das bds mais pessoais e intimistas que costuma fazer. No entanto este livro não deixa de ser divertido e com momento muito bem conseguidos. Asteroid Fighters 2 – Os Oráculos é também algo que muito faz falta a Portugal, BD comercial e acessível e transversal a várias gerações. E diga-se, este álbum (e o anterior) nada fica a dever aos sobrevalorizados As Incriveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy. A diferença é que Filipe Melo tem o poder e influencia nos media e conhecimentos pessoais importantes com que faz que os seus álbuns conseguem uma muito maior promoção e projecção, do que praticamente qualquer outro autor nacional. Esperemos não esperar 3 anos para o 3º volume – ficam as redundâncias.
O Melhor: Ver super-heróis que não são belos como Deuses Gregos. O Pior: O tempo de espera entre os volumes.
Para mais informações (sinopse e imagens) aqui: http://www.centralcomics.com/2012/06/22/lancamento-asteroid-fighters-2-%E2%80%93-os-oraculos/

Spirou e Fantásio vol. 50 – Nas Origens do Z

spirou 50 - nas origens do z - CapaNão sendo o fã Nº1 de Spirou e Fantasio, estava algo curioso para ler este livro, devido à polémica que obteve. Convenhamos, este álbum reconstroi todo o universo destas personagens criadas por Franquin, e os puristas treparam paredes com isto. Eu não li o volume seguinte, por isso não sei mantiveram a cronologia e realmente o que acontece em Nas Origens de Z conta para o seguimento da série, ou se “ignoraram” este álbum e se manteve tudo no anterior Status Quo. É importante também frisar, que um dos meus livros predilectos desta série, é o também polémico A Máquina que Sonha, dos autores Tome e Janry. Quanto à história propriamente dita, acho a ideia bastante interessante mas desenvolvida de uma forma que não me cativou muito. Preocuparam-se mais em fazer um tributo a várias histórias clássicas do que desenvolver um argumento, coerente e que nos fizesse devorar o livro. Eu adoro tramas à volta de viagens no tempo e por isso esperava muito mais daqui. A arte agradou-me. Gostei de como Manuera faz o equilíbrio entre o clássico traço de Franquin, e o”ar” mais subtil de modernização.
O Melhor: O revisitar de algumas aventuras antigas e vê-las por outro ponto de vista. O Pior: A história podia ser mais aproveitada e pode chocar os grandes fãs de Spirou e Fantasio.
Para mais informações (sinopse e imagens) aqui: http://www.centralcomics.com/2012/07/13/lancamento-spirou-e-fantasio-vol-50-nas-origens-de-z

 

Hugo Jesus