Exposição: 20 anos do Mesinha de Cabeceira


20 Anos do Mesinha de CabeceiraAbre hoje a exposição de originais de BD, desenho e ainda de fanzines, serigrafias e pintura relativos aos 20 anos de existência do fanzine Mesinha de Cabeceira. Criado por Marcos Farrajota e Pedro Brito, desde 1992, que se assumiu como um projecto mutante que se intervala em antologia, monográfico e “perzine” para além de ter passado pela impressão profissional, pela fotocópia e pela serigrafia.

Deveria ser uma retrospectiva mas para isso era preciso logística e dinheiro que ninguém teria interesse em investir. E depois há originais perdidos por todo o lado: em Macau, na área metropolitana de Lisboa e quem sabe Brooklyn, Hamburgo, Belgrado, Viseu e Seattle… O fanzine nasceu em Lisboa, embora os seus dois fundadores, Pedro Brito e Marcos Farrajota fossem dos subúrbios (Barreiro e Cascais, respectivamente) mas os colaboradores vieram de vários pontos do planeta, daí que recolher todo o material seria complexo e dispendioso.

Esta exposição é uma selecção de peças curiosas, sobretudo de originais de BD dos 20 anos de actividade editorial do fanzine Mesinha de Cabeceira, desde o seu número zero até ao mais recente número 23. Optou-se para mostrar algumas curiosas peças que mostram de forma simples as pranchas de BD (originais) pouco antes de serem impressas fosse nos tempos gloriosos da fotocopiadora até à impressão offset – passando ainda pela serigrafia.

Muitos destes originais tiveram pouca visibilidade, ou por causa das tiragens reduzidas das edições (sobretudo dos primeiros 12 números) ou ainda porque nunca estiveram expostas noutros espaços – excepção serão os trabalhos de André Lemos, Filipe Abranches, João Maio Pinto, Jucifer, Marcos Farrajota e Pepedelrey que ainda o ano passado, foram vistas por milhares de pessoas durante a exposição Tinta nos Nervos, no Museu Berardo.

Da Noruega vieram as páginas da BD de Monia Nilsen, em registo de entrevista saída no Mesinha de Cabeceira Popular #200 (Chili Com Carne, 2006). Da viagem a Moçambique, Crizzze conta a sua experiência com as cores fortes de África – o trabalho saiu no #17 (Chili Com Carne, 2003). Dos EUA veio uma pintura de Mike Diana que mostra os ácidos a todas as cores da capa do MdC #15 / Sourball Prodigy (MMMNNNRRRG; 2002). Da Alemanha Dice Industries envia as suas BD-colagens que integram o recente número 23 a sair durante esta comemoração do MdC – um mimo, as colagens e o livro, já agora!

Vindos também deste número poderemos ver os originais de André Coelho, Bruno Borges, Sílvia Rodrigues, José Smith Vargas, Afonso Ferreira, Daniel Lopes e Lucas Almeida (numa nova montagem em serigrafia).

E recuperam-se ainda trabalhos de Arlindo Horta, João Chambel (remontados) do MdC 18 (Chili Com Carne, 2004), de Nunsky – da sua clássica BD psycho-goth-billy -, Silas, Jorge Coelho e montes de originais “bedroom punk” de Marte (as primeiras páginas das séries Loverboy e NM) e claro… Pedro Brito – os primeiros trabalhos, que serão bastante curiosas para os fãs hardcore deste autor!!!

Informação útil: Inaugura a 25 de Outubro, patente até 16 de Dezembro | 10h – 18h | inauguração 19h
Museu da Água – Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisboa | Público-alvo não determinado com interesse pela banda desenhada e ilustração. Para público com mais de 16 anos | Acesso: Adultos 2 euros, até 12 anos gratuito, Cartão jovem, aposentados, mais 65 anos 1 euro.

Extra: Dia 27 de Outubro – aliás à noite, a partir das 22h, na Trem Azul, as comemorações dos 20 anos do Mesinha de Cabeceira expandem-se para Festa com uma outra exposição, Cronovisões, Ex-votos para o Futuro, uma individual de Doutor Urânio que mostra o seu trabalho de colagem retro-futurista, e haverá concerto de Susana Santos Silva (trompete, electrónicas) com Jorge Queijo (bateria, electrónicas) e um pé-de-dança com os discos de unDJ MMMNNNRRRG.

Internet thing: mesinha-de-cabeceira.blogspot.com | chilicomcarne.com

25 Outubro – 16 Dezembro
Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisboa
no âmbito da Trienal Desenha 2012



FESTA de SÁBADO à NOITE (dia 27 Outubro na Trem Azul): exposição de colagens de Dr. Uránio + concerto Susana Santos Silva (trompete, electrónicas) com Jorge Queijo ( bateria, electrónicas) + unDJ MMMNNNRRRG.

CRONOVISÕES, EX-VOTOS PARA O FUTURO
Exposição de Doutor Urânio

doutor uranioFalamos de Tempo e Mente, que dificilmente pertencem a categorias. Separamos o passado e o futuro e descobrimos que o Tempo é uma amálgama de ambos. Separámos o bem e o mal e descobrimos que a Mente é uma amálgama de ambos, temos de compreender o todo. Issac Asimov

Os lubis-homens são aqueles que têm o fado ou sina de se despirem de noite no meio de qualquer caminho, principalmente encruzilhada, darem cinco voltas, espojando-se no chão em lugar onde se espojasse algum animal, e em virtude disso transformarem-se na figura do animal pré-espojado. Esta pobre gente não faz mal a ninguém, e só anda cumprindo a sua sina, no que têm uma cenreira mui galante, porque não passam por caminho ou rua, onde haja luzes, senão dando grandes assopros e assobios para se lhas apaguem, de modo que seria a coisa mais fácil deste mundo apanhar em flagrante um lubis-homem, acendendo luzes por todos os lados por onde ele pudesse sair do sítio em que fosse pressentido. É verdade que nenhum dos que contam semelhantes histórias fez a experiência. Alexandre Herculano

Para mim, a melhor coisa em relação ao Cyberpunk é que me ensinou a gostar de centros comerciais, que geralmente me aterrorizavam. Agora imagino que a cena toda está duas milhas debaixo da superfície da lua, e que o lado direito das pessoas foi comido por ratos de aço robotizados. E de repente torna-se interessante outra vez Rudy Rucker

Nos terrenos inacessíveis cercados por modernos edifícios encontro a fronteira entre a terceira e a quarta dimensão. Do quotidiano de destruição maciça surgem hipermontagens mediúnicas. Os objectos perdidos nos poços dos elevadores provocam-me visões antigas de um futuro tragicômico. Dos horrores das novidades tecnológicas imerge a fusão de imagens improváveis. As leucotomias pré-frontais do entretenimento fundem-se em permutações da realidade representada. A mocidade da ultra-higiene espalha suavemente as linhas principais das ditaduras auto-impostas através de radiações electromagnéticas. Morcões e trengos flutuam no mar de alienação a procura de aparelhos TDT nos escombros do naufrágio do rei D. Sebastião.

Estes conceitos e outras derivaçôes críticonostálgicas são apresentadas no formato de fotomontagem (revistas velhas, tesoura e cola).