Apresentação da Ilustração Original do AmadoraBD 2012

O autor de O Amor Infinito que te Tenho premiado em 2011 com o troféu Melhor Álbum Português do AmadoraBD foi o convidado do Festival para criar a ilustração original que serve de base à imagem global da edição deste ano.

Paulo Monteiro com Rui LacasPaulo Monteiro é assim o autor em destaque do 23º AmadoraBD 2012 com uma exposição sobre a sua obra e sobretudo com álbum vencedor do troféu.

Para que fique a conhecê-lo melhor aqui fica uma breve biografia.

Paulo Monteiro nasceu em Vila Nova de Gaia em 1967. A partir dos 13 anos começou a ilustrar fanzines de poesia, cartazes e murais. Depois de desistir da admissão às Belas-Artes, matriculouse em Letras, na Universidade de Lisboa, em 1987. Durante esse período estudou Pintura e Cenografia para Teatro. Quando se licenciou, em 1991, foi viver para Beja, onde ainda vive. Tem um filho: Manuel.

Teve (e tem) interesses e actividades muito diferentes: trabalhou nas vindimas, passou filmes de Buster Keaton e Charlot de terra em terra, escreveu para a rádio e para os jornais, trabalhou no Cais Marítimo de Alcântara, compôs músicas, tocou guitarra em lares, foi professor de Geografia e Ciências da Natureza, fez cenários e figurinos para teatro, fez teatro de sombras chinesas e teatro de fantoches, participou em escavações arqueológicas, etc., etc. Também fez a curadoria de dezenas de exposições de escultura, ilustração, pintura antiga e contemporânea, etc.

O Amor Infinito que te tenho será publicado em 2013 pela Blank Slate Books, no Reino Unido e na Irlanda, pela Balão Editorial, no Brasil, e pela Timof, na Polónia.
Neste momento encontra-se a trabalhar no segundo livro, que deverá estar concluído no final de 2015.

ilustração amadorabd 2012

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Sobre Paulo Monteiro escreveu Kike Benlloch* no catálogo do AmadoraBD 2009:
Em certas noites de Inverno o vento e a chuva batem com força e ficamos absortos à janela. Os elementos lembram-nos que apenas somos o que somos: Mortais, limitados, concretos, pouca coisa. E não há muito tempo, um animal temeroso na escuridão, cujos olhos brilhavam confiando que a trovoada passasse.
No entanto, as obras de arte que nos inspiram sentimentos, percepções, memórias, intuições, fazem-nos sentir o contrário, que somos mais do que se supõe sermos. Sonho, amor, lembrança, amizade, gratidão, ilusão, paz… e não o fazem de uma maneira formal, académica, planificada.
Simplesmente vincam algo dentro de nós e automaticamente sentimos. É instintivo.
Entre esses dois extremos, onde se funde o material com o intangível, a carne com o espírito, é onde nasce o trabalho íntimo de Paulo Monteiro.
Paulo faz palavras e imagens como se umas e outras não se pudessem separar. Autênticas e sentidas, como se tivessem sido criadas primeiramente para esta finalidade última. Como nascidas da pedra talhada, da madeira lavrada, da água pura do manancial, da própria essência da terra. Dos campos trabalhados pelas mãos curtidas de gerações incontáveis.
Estimo especialmente estes relatos d’ “O Amor Infinito que te tenho” porque são breves mas percebem-se como um todo. Não são fragmentos de relatos mais longos. Capítulos perdidos, pontos de partida, nem destinos narrativos. São unidades em si mesmo, com o mesmo peso e significação que outras obras de centenas de páginas. Não precisam nada mais, nem nada menos.
E têm alma.
Por isto, se alguém me perguntasse se a poesia pode ser levada para a BD, seria fácil confirmá-lo.
Não se trata de ilustrar versos. A poesia é outra coisa.
É isto.
E estas peças, estas tuas peças, Paulo, são os tesouros que vale a pena guardar.
*Guionista de Banda Desenhada e Gestor Cultural (A Corunha, 1974)

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