Crítica: Dial H #1

Mais uma estreia na Central Comics. Miguel Gonçalves assina a sua primeira crítica com esta nova série da DC. Leia também as 5 primeiras páginas.

A BD Dial-H está de volta depois do último número ter saído em 2003. Para quem não conhece a série, normalmente, relata episódios da vida de pessoas comuns que, marcando um número de telefone específico (correspondente às letras H.E.R.O), transforma-se num super-herói. Normalmente cada telefonema corresponde a um super-herói diferente, com poderes igualmente diferentes.

A DC Comics decidiu dar nova oportunidade à série e entregou o argumento ao inglês China Miéville. É certo que no que toca a BD o nome é desconhecido, já que o seu único trabalho no mundo da BD foi o HellBlazer #250 na Vertigo em 2008. Mas Miéville é mais conhecido por ser um dos maiores autores de ficção científica da atualidade. Ganhou, em 2010, o prémio Arthur C. Clarke (prémio britânico para melhor livro de ficção científica do ano) e o prémio Hugo, considerado o Óscar da ficção científica, prémio atribuído anualmente pela Convenção Mundial de Ficção Científica. Um autor que, infelizmente, não está traduzido para português.

Foi, portanto, com grande espectativa que fui ler o novo Dial-H, esperando de Miéville um equilíbrio e mistura entre horror e ficção científica, com um nada de sátira. Vou ser sincero, a BD não é para todos, porque é muito negra. O argumento fala-nos de um jovem de 30 anos que recupera de um ataque cardíaco pela falta de hábitos de vida saudáveis. No meio disto descobre, ao marcar um número de telefone ao calhas, que ganha superpoderes ao transformar-se num super-herói. É desta maneira que se vê no meio de gangsters a tentar salvar-se a si e ao o seu melhor amigo, que fez negócios com quem não devia. É desta maneira que nos aparecem os primeiros super-heróis: O Rapaz Chaminé, comcapacidade para controlar o fumo; e Capitão Lacrimoso, um herói capaz de fazer chorar o próprio Chuck Norris.

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Parece um conceito patético não é? E é! Mas o argumento de Miéville é espetacularmente delicioso e satírico, capaz de nos fazer rir e pensar das coisas mais mórbidas. Um desvio total daquilo a que conhecemos como super-heróis. Este argumento é agigantado pela arte do brasileiro Mateus Santolouco, que desde sempre está ligado a BD’s mais sombrias, sendo a mais conhecida a Dark Reign: Letal Legion. Santolouco consegue ter um pincel muito expressivo, e não tem medo de assumir na sua arte o feio e o bonito nas suas pranchas. Miéville não poderia ter encontrado melhor artista para passar para o papel o seu tom satírico.

Um argumento único, que peca só por termos de assimilar demasiada informação logo no primeiro capítulo da BD.

Classificação: 8/10.

MG

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Leia aqui as 5 primeiras páginas:
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