Mais rápidas que uma bala #1

Mais rápidas que uma balaÉ a estreia de mais um espaço aqui na Central Comics, que pretende dar uma opinião, em meia dúzia de linhas, sobre edições de banda desenhada, novas ou mais antigas, em português ou noutra língua. Nesta primeira edição debruçamo-nos sobre a revista Espectacular Homem-Aranha #1, o álbum Hellboy vol. 6 Terras Estranhas, o fanzine Zona Fantástica e a antiga mini-série Homem-Aranha: Carnificina Total.

Nesta primeira “Mais rápidas que uma bala” decidi-me por 4 edições todas em língua portuguesa. Todas? Talvez não seja bem assim. É que na recém chegada revista Espectacular Homem-Aranha, editada pela Panini, não sei bem se a língua é a portuguesa ou se está escrito em portunhol. A revista original não sei bem se é italiana ou inglesa, mas é trabalhada em cima da versão espanhola e produzida por um estúdio de Barcelona. Parece que meterem os textos todos no tradutor do Google, e colaram na versão portuguesa. Os erros são muitos, e há termos e frases completamente em castelhano. Uma vergonha. É pena, pois a ideia do magazine é engraçado. Tem duas histórias de BD do selo “Marvel Adventures” e depois uma série de artigos, fichas de heróis, passatempos, posters, etc. Se tivesse num português decente aprovaria, mas a falta de cuidado nesse aspecto faz merecer que lhe dê nota negativa. 4/10.

Passado muito tempo, finalmente a G-Floy Studio trouxe-nos mais um volume de Hellboy. Confesso que gosto da personagem e das suas aventuras mas sempre achei tudo sobrevalorizado. Por isso foi com grande surpresa que ao finalizar a leitura de Hellboy Terras Estanhas deparei-me com uma sensação de satisfação que nenhum outro volume me tinha dado. Não sei se é melhor que qualquer um dos outros, se fui eu que o absorvi de forma diferente, mas de facto gostei muito deste sexto volume. O tomo é composto por duas histórias, O Terceiro Desejo e A Ilha, entre elas há um fosso de 3 anos, na sua publicação original, mas uma é imediatamente a seguir à outra na cronologia do herói.
Quase não aparecem humanos, mas não é preciso. São duas histórias do fantástico e do terror que não irão desapontar nenhum fã. A ler com atenção e saborear cada página. 8/10.

Fil, voltou a carga com mais um fanzine Zona em Março deste ano. Aproveitou-se, e bem, do Fantasporto, e pediu aos “seus autores” que escrevessem e desenhassem histórias com temas do Fantástico.
Depois de um início prometedor em Zona Zero, veio um desapontante Zona Negra (com a temática Terror), por isso estava um pouco de pé atrás em experimentar a Zona Fantástica. Felizmente a qualidade do conteúdo voltou a subir (mas não tanto como a primeira edição). Como qualquer outra antologia, esta tem também os seus desequilíbrios. Ora temos histórias e ideias bastante interessantes, como temos outras completamente desprovidas de interesse. De todas o meu destaque vai para a história Sem Futuro de Rui Alex, a meu ver a mais original e interessante do conjunto. Nos pontos negativos queria voltar a frisar a falta de qualidade da balonagem/legendagem da generalidade das edições nacionais, em que esta não é excepção, e má escolha na ilustração da capa (e eu até gosto da arte da Carla Rodrigues). 6/10

Carnificina TotalPassado bastantes anos, deu-me a nostalgia e apeteceu-me reler uma mega-saga do aracnídeo que saiu em Abril e Maio de 1997 pela Abril/Controljornal: Homem-Aranha: Carnificina Total. Esta história saiu em 2 números de 160 páginas, por 440$00 cada um (2,20€ na moeda actual). Tirando o facto de ser edições paupérrimas, de fracos acabamentos e papel ainda pior, lembrei-me do quão má é a tradução. Nota-se perfeitamente que são adaptações da edição brasileira e não traduzidas directamente do inglês. Aliás, isso era impossível, pois estes formatinhos da Abril sempre foram versões adulteradas do formato americano. Sempre soube disso, mas foi quando trabalhei no DVD do Demolidor para a Castello Lopes, que inclui um booklet com algumas histórias clássicas do herói invisual, que me apercebi a quantidade de vinhetas que eram retiradas, o texto reduzido para metade ou até 1/3 e até páginas completas eram descartáveis. A saga em si, já deve ser fraca originalmente, mas com estas artimanhas que os estúdios da Abril fizeram, tornaram a “Carnificina Total” uma aborrecida mini-maratona de pancadaria. 4/10

Por Hugo Jesus

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